domingo, 25 de maio de 2025

Pronto, xinguei!

Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial.  Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sentia atraído a falar.  Bom, hoje, adulto, costumo falar meus palavrões sozinho, ainda não me adaptei a xingar em público nem para ofender alguém.
Certa vez assisti uma reportagem falando de um senhor de 70 anos, que jogava pelada com os amigos, muitos bem mais jovens.  Ele era respeitado pela idade e em sua regra de não admitir palavrões durante o jogo.  O repórter perguntou-lhe sobre o assunto, e a resposta foi que " Palavrão é a falta de argumento da pessoa".
Não, definitivamente não sou como ele, nem o senhor idoso que vi, tempos atrás, na Cinelândia.  O dia estava chuvoso, e no ponto do ônibus muitas pessoas aguardavam suas conduções. Um senhor alto, cabelos brancos, vestido socialmente, não percebeu a manobra do ônibus que chegava, arremessando a água empoçada do meio fio em sua direção, sujando a elegante calça branca.  Pego de surpresa, foi até a porta do veículo e dirigiu-se ao motorista "- Que deselegância, meu amigo, viu o que você fez? Inadmissível!" E apontando para a roupa suja, balançava a cabeça, indignado.  
O motorista, fingindo não perceber o que tinha feito, aguardou a subida do último passageiro, deu partida no coletivo e saiu de fininho, deixando nosso amigo com sua elegante indignação.
Ah, que vontade me deu de xingar!

Autor do texto: Paulo Nascimento, olhar e ouvidos atentos para transformar cenas comuns em crônicas com um toque de ironia e reflexão.

Pronto, xinguei!

Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial.  Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sen...