A série de protestos no nosso país nos últimos dias me levou a refletir sobre o que isso representa. Neste momento, um cuidado necessário: diferenciar o que é reivindicação justa do que é baderna ou crime. A falta de atitude diária ao longo desses tempos, onde ações simples no cotidiano poderiam fazer a diferença, levaram ao acúmulo de necessidades não satisfeitas que explodiram de repente, como se de repente tivessem surgido. Ao mesmo tempo, no dia de hoje, assisto a propaganda de um partido onde fica clara a proposta de incitação ao movimento de massas, aproveitando o momento, como aliás todos os partidos atualmente fazem no Brasil. Não representam nada e se aproveitam de tudo!
Achei um dos poemas da minha prima Lucia Andrade que eu ainda não havia publicado no blog e descobri a semelhança com o que a anestesia geral propicia os acontecimentos atuais, guardados os exageros.
Autor do texto: Paulo Nascimento
O povo e o polvo
Olho pro lado, pra vizinhança,
Não vejo nenhuma novidade.
O mesmo ambiente pobre,
Um mundo cego, sem claridade.
Conversa sadia eu não ouço,
Nada falam que me acrescente.
Me afasto pra não emburrecer,
Pra não atrofiar minha mente.
Muito riso e pouco siso,
Todos sentados na calçada.
A vida segue em frente
E essa gente vazia não vê nada.
Injustiças que acontecem,
O planeta que agoniza em vão...
Mas tudo isso é besteira
Se um copo eles têm na mão.
O tempo passa depressa,
A idade há de chegar.
Nada de útil foi feito,
Agora não dá pra voltar.
Os filhos não educaram,
Nenhuma causa defenderam.
Choram hoje amargamente
O ontem que eles perderam.
Entravam na novela das oito,
Adoravam ver Big Bosta,
Gritavam pela Xoxa,
Na Copa faziam aposta.
Ainda sentam na calçada
Lembrando das alegrias.
Continuam sem perspectivas
Pras suas vidas vazias.
Não só um polvo tem tentáculos,
O povo também os tem.
Podem ser cordas a enforcá-los
Ou braços unidos pra fazer o bem.
Autora do texto; Lucia Andrade
A ideia deste blog é promover agradáveis encontros com os que compartilham minhas esperanças, através das minhas letras incertas. Sejam bem-vindos!
Mostrando postagens com marcador Poemas de Lucia Andrade. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 20 de junho de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Lidomeiro
Árvore seca frutifica!
Fruto com cheiro de flor,
Com gosto de maçã,
Olhinho de jabuticaba.
Com cabelos soltos como a folha,
E a mãozinha leve como pena de ave.
Que a voz sussurre como o vento,
Doce como o mel,
Mas que tenha a força do trovão
Saindo da boca de uva rosada.
Árvore seca frutifica!
Redentora, renovadora,
Como a raiz da liberdade.
Autora do texto: Lucia Andrade
Curiosidade: Perguntei à minha prima Lucia Andrade o que era um lidomeiro e ela me lembrou o nome do seu filho: Lidom. Não precisa mais explicações.
Fruto com cheiro de flor,
Com gosto de maçã,
Olhinho de jabuticaba.
Com cabelos soltos como a folha,
E a mãozinha leve como pena de ave.
Que a voz sussurre como o vento,
Doce como o mel,
Mas que tenha a força do trovão
Saindo da boca de uva rosada.
Árvore seca frutifica!
Redentora, renovadora,
Como a raiz da liberdade.
Autora do texto: Lucia Andrade
Curiosidade: Perguntei à minha prima Lucia Andrade o que era um lidomeiro e ela me lembrou o nome do seu filho: Lidom. Não precisa mais explicações.
domingo, 21 de abril de 2013
Um copo de vida
Uma urgência de viver,
Inexplicável pressa desesperada,
Fome de querer fazer.
Comportamento difícil de entender
Que assusta, afugenta,
Em um quase enlouquecer.
Tenta nas mãos segurar, deter
O tempo que corre depressa.
Quero um copo de vida pra beber.
Recusa selvagem em partir.
Ainda não vi tudo,
Muito está por vir.
Do fim não se pode fugir.
Todos têm a sua hora,
Faça sua oração, seu caminho vai seguir.
Não adianta tentar adiar,
Sua missão já se cumpriu.
Agora resta aceitar.
Por fim, resignada, ela partiu.
Autora do texto: Lucia Andrade
Inexplicável pressa desesperada,
Fome de querer fazer.
Comportamento difícil de entender
Que assusta, afugenta,
Em um quase enlouquecer.
Tenta nas mãos segurar, deter
O tempo que corre depressa.
Quero um copo de vida pra beber.
Recusa selvagem em partir.
Ainda não vi tudo,
Muito está por vir.
Do fim não se pode fugir.
Todos têm a sua hora,
Faça sua oração, seu caminho vai seguir.
Não adianta tentar adiar,
Sua missão já se cumpriu.
Agora resta aceitar.
Por fim, resignada, ela partiu.
Autora do texto: Lucia Andrade
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Jamais busquei você
Queria muitas coisas,
Me preocupava com o ter.
Não te conhecia,
Jamais busquei você.
Andava sempre ocupado
Querendo enriquecer,
Exibir minhas conquistas.
Nunca busquei você.
Minhas posses aumentavam.
Uma família criei.
Virei cidadão respeitável
Mas você jamais busquei.
O ter foi sempre importante.
Ignorava o Ser.
Tinha orgulho do meu império.
E nunca busquei você.
Ouvia muitos falarem
Do que os inundava o ser.
Achava tudo bobagem.
Pra quê buscar você?
No meu mundo muito sólido
Tudo começou a ruir.
E o sofrimento eu descobri.
Me negava a buscar você.
Quando perdi tudo o que tinha,
Incluindo o orgulho.
Vi que sabia chorar,
Que podia buscar você.
E ao me pôr de joelhos
Sem nada mais ter,
Descobri quem era o Ser,
Dentro de mim, meu Deus,
Eu encontrei você.
Autora do texto: Lucia Andrade
Me preocupava com o ter.
Não te conhecia,
Jamais busquei você.
Andava sempre ocupado
Querendo enriquecer,
Exibir minhas conquistas.
Nunca busquei você.
Minhas posses aumentavam.
Uma família criei.
Virei cidadão respeitável
Mas você jamais busquei.
O ter foi sempre importante.
Ignorava o Ser.
Tinha orgulho do meu império.
E nunca busquei você.
Ouvia muitos falarem
Do que os inundava o ser.
Achava tudo bobagem.
Pra quê buscar você?
No meu mundo muito sólido
Tudo começou a ruir.
E o sofrimento eu descobri.
Me negava a buscar você.
Quando perdi tudo o que tinha,
Incluindo o orgulho.
Vi que sabia chorar,
Que podia buscar você.
E ao me pôr de joelhos
Sem nada mais ter,
Descobri quem era o Ser,
Dentro de mim, meu Deus,
Eu encontrei você.
Autora do texto: Lucia Andrade
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Chuchu na serra
Escolheu a mais gostosinha
Com grau de escrúpulo zero.
Tentou botar na linha
Dançou um belo bolero.
Levou uns chifres na bagagem
O filho de outro tornou-se seu.
Ela adora uma viagem
Com o dinheiro que você deu.
Vê se te manca, Mané
Para de bancar o otário.
Fica remando contra a maré
Vai revistar teu armário.
Quando ela tá em casa
Tá sempre com dor de cabeça.
Toma um chá de simancol
Antes que o chifre apareça.
Entrega pro Ricardão
Deixa ele amargar o prejuízo.
Até o cara que entrega o pão
Se mandou, tem mais juízo.
Foi julgar pela aparência
E pegou o maior bagulho.
Agora chega de demência
E entrega em um embrulho.
Ao primeiro que passar
Ofereça como um diamante,
E se o otário levar
Seja mais esperto doravante.
Mulher de vitrine é manequim
Escolha uma de carne e osso.
Se ainda escolher mal assim
Vai afundar até o pescoço.
Bonitinha sem caráter
Fuja como o diabo da cruz.
Porque se deixar se enganar
Aí, meu filho, nem Jesus.
Autora do texto: Lucia Andrade
Com grau de escrúpulo zero.
Tentou botar na linha
Dançou um belo bolero.
Levou uns chifres na bagagem
O filho de outro tornou-se seu.
Ela adora uma viagem
Com o dinheiro que você deu.
Vê se te manca, Mané
Para de bancar o otário.
Fica remando contra a maré
Vai revistar teu armário.
Quando ela tá em casa
Tá sempre com dor de cabeça.
Toma um chá de simancol
Antes que o chifre apareça.
Entrega pro Ricardão
Deixa ele amargar o prejuízo.
Até o cara que entrega o pão
Se mandou, tem mais juízo.
Foi julgar pela aparência
E pegou o maior bagulho.
Agora chega de demência
E entrega em um embrulho.
Ao primeiro que passar
Ofereça como um diamante,
E se o otário levar
Seja mais esperto doravante.
Mulher de vitrine é manequim
Escolha uma de carne e osso.
Se ainda escolher mal assim
Vai afundar até o pescoço.
Bonitinha sem caráter
Fuja como o diabo da cruz.
Porque se deixar se enganar
Aí, meu filho, nem Jesus.
Autora do texto: Lucia Andrade
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
A casa mais bela
Dei a você a casa mais bela,
O lugar mais bonito.
Flores na janela,
Frutas no pomar,
Água fresca em cascata,
Mas dela não consegue cuidar.
Mata-se a si mesmo,
Destrói teu próprio lar.
Tuas mãos têm espinho,
Tudo há de te faltar.
Vai dizer que sou injusto.
Que fiz para te punir,
Mas não fui eu o causador.
Você mesmo se priva
Das maravilhas que te dei.
Do oceano que te banhava,
Do sol que te aquecia,
Da lua que te embalava,
E de mim que era seu guia.
A minha imagem pode ter
Mas não se assemelha a mim.
Eu jamais destruiria
O que me dá vida,
O que me alimenta,
No corpo e no espírito.
Renega o teu Pai,
Renega seus irmãos,
Queima o seu paraíso.
O que pretende colher?
Ainda pode mudar seu futuro
Se do seu planeta cuidar.
Aprenda a semear a vida,
Pelas espécies comece a zelar,
E lembre-se, meu filho,
Do seu lado estarei
Sempre que meu nome chamar.
Autora do texto: Lucia Andrade
O lugar mais bonito.
Flores na janela,
Frutas no pomar,
Água fresca em cascata,
Mas dela não consegue cuidar.
Mata-se a si mesmo,
Destrói teu próprio lar.
Tuas mãos têm espinho,
Tudo há de te faltar.
Vai dizer que sou injusto.
Que fiz para te punir,
Mas não fui eu o causador.
Você mesmo se priva
Das maravilhas que te dei.
Do oceano que te banhava,
Do sol que te aquecia,
Da lua que te embalava,
E de mim que era seu guia.
A minha imagem pode ter
Mas não se assemelha a mim.
Eu jamais destruiria
O que me dá vida,
O que me alimenta,
No corpo e no espírito.
Renega o teu Pai,
Renega seus irmãos,
Queima o seu paraíso.
O que pretende colher?
Ainda pode mudar seu futuro
Se do seu planeta cuidar.
Aprenda a semear a vida,
Pelas espécies comece a zelar,
E lembre-se, meu filho,
Do seu lado estarei
Sempre que meu nome chamar.
Autora do texto: Lucia Andrade
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
A arte é livre
Não tente me ditar o ritmo da música.
Eu sou o artista,
A obra é minha,
Dou-lhe a entonação que quiser.
Pode ser hard, soft, metal,
No estilo que couber,
Ou que minha inspiração me der.
Existem sete notas musicais
Que para mim
São sete vezes setecentos,
Ou quantas meu violão deixar.
Todas que a minha voz
Ousar cantar.
Outras mais que eu puder imaginar.
Nas partituras do meu vício
De musicar
A vida,
O passado
Ou o futuro que virá.
Um artista não se prende à lógica,
Desconhece o impossível,
Mecanismo de bitolar.
Ele dá vida à arte,
Canta o que quer cantar.
Tem na alma a versatilidade
De ouvir o que o som
Quer lhe falar.
Autora do texto: Lucia Andrade
Eu sou o artista,
A obra é minha,
Dou-lhe a entonação que quiser.
Pode ser hard, soft, metal,
No estilo que couber,
Ou que minha inspiração me der.
Existem sete notas musicais
Que para mim
São sete vezes setecentos,
Ou quantas meu violão deixar.
Todas que a minha voz
Ousar cantar.
Outras mais que eu puder imaginar.
Nas partituras do meu vício
De musicar
A vida,
O passado
Ou o futuro que virá.
Um artista não se prende à lógica,
Desconhece o impossível,
Mecanismo de bitolar.
Ele dá vida à arte,
Canta o que quer cantar.
Tem na alma a versatilidade
De ouvir o que o som
Quer lhe falar.
Autora do texto: Lucia Andrade
Incólume
Quisera eu guardar-te novamente
Em meu ventre,
Casulo seguro,
Redoma perfeita.
Quisera eu proteger você
Desse mundo cão.
Entendo agora a dor do parto.
É a dor de ter de dar ao mundo
Nossa carne,
Pedaço do nosso corpo,
Nossa própria alma.
É a dor de não poder guardar
Dentro de si
O tesouro mais precioso,
Depois de ter gerado.
A dor de carregar dois corações.
E sentir para sempre
As alegrias,
As tristezas,
As descobertas,
Do seu e do outro
Que já não é mais seu.
Dois corpos em um só corpo
E ter de entregar um deles
À sorte.
Quisera eu que voltasse
Pra dentro de mim.
E ali ficasse escondido,
Incólume,
Só meu.
Autora do texto: Lucia Andrade
Em meu ventre,
Casulo seguro,
Redoma perfeita.
Quisera eu proteger você
Desse mundo cão.
Entendo agora a dor do parto.
É a dor de ter de dar ao mundo
Nossa carne,
Pedaço do nosso corpo,
Nossa própria alma.
É a dor de não poder guardar
Dentro de si
O tesouro mais precioso,
Depois de ter gerado.
A dor de carregar dois corações.
E sentir para sempre
As alegrias,
As tristezas,
As descobertas,
Do seu e do outro
Que já não é mais seu.
Dois corpos em um só corpo
E ter de entregar um deles
À sorte.
Quisera eu que voltasse
Pra dentro de mim.
E ali ficasse escondido,
Incólume,
Só meu.
Autora do texto: Lucia Andrade
sábado, 15 de dezembro de 2012
Caminhos tortuosos
Nem sempre o caminho certo
É o mais fácil.
Quase nunca é.
É difícil tomar as decisões corretas.
Ser correto é difícil.
Parece que você é o errado
Quando quer fazer o certo.
Geralmente é doloroso,
Quase sempre é,
Fazer o mais acertado.
Escolher não o meio certo,
Ou o meio errado,
Mas o correto,
De verdade.
Que nem sempre é o caminho reto,
Quase nunca é.
Geralmente o caminho tortuoso
É o correto.
E o reto,
É o errado.
Mas se você consegue,
Ao final da sua luta interna,
Seguir o melhor caminho,
O certo,
Continue por ele,
Persevere nele,
Acredite nele.
Na reta de chegada,
Quando olhar para trás,
Terá a certeza
De que fez
A escolha certa
Indo ao encontro de Deus.
Autora do texto: Lucia Andrade
É o mais fácil.
Quase nunca é.
É difícil tomar as decisões corretas.
Ser correto é difícil.
Parece que você é o errado
Quando quer fazer o certo.
Geralmente é doloroso,
Quase sempre é,
Fazer o mais acertado.
Escolher não o meio certo,
Ou o meio errado,
Mas o correto,
De verdade.
Que nem sempre é o caminho reto,
Quase nunca é.
Geralmente o caminho tortuoso
É o correto.
E o reto,
É o errado.
Mas se você consegue,
Ao final da sua luta interna,
Seguir o melhor caminho,
O certo,
Continue por ele,
Persevere nele,
Acredite nele.
Na reta de chegada,
Quando olhar para trás,
Terá a certeza
De que fez
A escolha certa
Indo ao encontro de Deus.
Autora do texto: Lucia Andrade
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