Ei, você!
Olha pra mim!
Me enxerga!
Me escuta!
Você que vê lá fora,
Olha aqui pra dentro.
Tão perto,
Tão longe...
Mas é fácil,
Um abraço,
Um afago,
Um sorriso...
Você tem a chance.
Um dia tudo acaba,
Aí não tem volta.
Tarde demais.
Então, larga tudo
E olha pra mim.
Autora do texto: Lucia Andrade, publicado na página VAMUAÍ do Facebook.
Confesso que tenho a maior dificuldade de folhear o jornal diário, o que significa economia financeira já que não cultivo o hábito de comprá-lo, qualquer que seja ele. Por acaso, e só por acaso, um jornal do dia de hoje veio cair em minhas mãos e numa passada preguiçosa de olhos observei alguns destaques que comento a seguir:
O escândalo das propinas nas compras do setor da saúde – Aparentemente, o escândalo da denúncia motivou o cancelamento dos contratos das empresas denunciadas com a Administração Pública, provocou indignação geral, ameaças de investigação, instauração de inquéritos, a descoberta da ponta do iceberg, sugestão de uma central de compras, blá, blá, blá. Cai o pano... (suspense)... cenas previsíveis dos próximos capítulos e próximos escândalos.
O filho do bilionário atropelou um pobre ciclista – Imprudência da vítima que ousou atravessar na frente de um bólido, supostamente em velocidade dentro dos limites da lei, segundo relato do atropelador que, por meio do Tweeter, alegou abalo físico, psicológico e emocional para não ter prestado socorro à vítima, responsabilidade que ficou a cargo de algum de seus assessores. Chamou a atenção o fato do atropelador, mesmo após ter ultrapassado o limite de perda de pontos suficiente para não obter a carteira definitiva de motorista, continuar a dirigir – culpa dos computadores do Detran, os primeiros sob suspeita, os mordomos da atualidade.
Lá vai o João para o paredão – Como não assisto o abominável BBB, desde o primeiro, sem comentários... todos para o confessionário e como penitência: ajoelhados no milho – os telespectadores, bem explicado.
Vazamento de esgoto em Rio das Pedras x construção dos reservatórios subterrâneos para conter as enchentes na Praça da Bandeira. Descasos e providências dos nossos merecidos governantes.
Estudante paulista, suspeito de tentar roubar biscoitos, é morto a choques pela polícia australiana. Assim como Jean Charles, mais uma vítima da violência que ultrapassa fronteiras e não é exclusividade nossa.
Na edição de março/2012 da revista Seleções do Reader's Digest, em entrevista a Danny Scott, o tenor italiano Andrea Bocelli fala das suas lembranças mais importantes: a sensação de liberdade da infância na fazenda da família, na Toscana; da primeira vez que ouviu a música de Mario Lanza e Mario Del Monaco, este último cantando O Sole Mio - "Foi muito forte, como se capturassem o meu coração"; das cavalgadas com o pai, Sandro, que amava os cavalos mas não os cavalgava por medo.
Ele fala, ainda, da dificuldade de entender por que as pessoas gostavam de ouvi-lo cantar se ele não achava sua voz tão especial - "talvez o meu destino seja esse", passou a admitir.
Aos 12 anos, em 1970, ganhou o primeiro concurso de canto e no mesmo ano ficou cego, fato que considera não ter diferenciado o seu modo de escutar a música, ou interferir na sua voz - "Se fosse verdade, todo cego cantaria bem, e todo cantor de ópera seria cego."
Falou da importância dos conselhos da sua mãe na sua carreira para que cuidasse da voz quando ainda era jovem, da sua crença em Deus - "Deus me ajuda a compreender este mundo complicadíssimo em que vivemos", e da honra de cantar para o Papa João Paulo II, em 1994.
Gravar Time to Say Goodbye, com Sara Brigthman, foi importante para a sua carreira: "De vez em quando surge uma música que inspira uma sensação especial em todo mundo. Essa foi uma delas."
Do amigo Luciano Pavarotti, diz sentir falta, pela educação, gentileza, inteligência e generosidade, apesar do temperamento. Das críticas que o incomodavam no início, define: "Ninguém é perfeito todo dia, nem mesmo os críticos."
Completando a entrevista falou de seus filhos, que estudam música clássica e a liberdade de escolha deles quanto ao futuro na música ou outra carreira; da participação, em 2005, no programa Vila Sésamo; do seu medo de palco e de procurar não pensar na quantidade de pessoas que podem estar assistindo suas apresentações: " Na minha cabeça, somos só eu e a música".
Nesta bela composição do Vander Lee encontrei muito do que acredito ser e ao completar meus 54 anos de idade reafirmo cada palavra desta música como um hino à minha vida e dedico aos amigos que tive, que tenho e que terei para sempre no percurso que Deus traçou como minha missão.