Há alguns dias, durante viagem na linha 456 - Abolição-General Osório, enquanto lia minhas apostilas do curso de pedagogia, desviei minha atenção para uma senhora de aproximadamente uns sessenta anos, bem vestida, de óculos escuros, com fones nos ouvidos, parecendo ouvir uma música muito alegre pelo fato de fazer movimentos labiais como se estivesse a cantá-la e dançando como se tivesse sido transportada para uma outra dimensão, numa solitária alegria onde cantar, dançar, alheia ao mundo, lhe dissesse mais que as notícias do cotidiano nos jornais.
Que música era essa que transformava, por um momento, a vida dessa senhora?
Seria um antídoto contra o veneno que nos corrói no dia-a-dia, quando a nossa incapacidade de encontrar alegria, de ficar imunes aos acontecimentos ruins nos torna fracos e descrentes de nós mesmos?
Infelizmente, ela desceu antes que eu pudesse lhe pedir a fórmula de tão desejado bálsamo. Porém, como se propagada pelo ar sua alegria me tocou e prossegui a viagem mais feliz e otimista, esquecendo dos meus problemas e pronto para encarar mais um dia de batalhas.
Autor: Paulo Roberto Nascimento
A ideia deste blog é promover agradáveis encontros com os que compartilham minhas esperanças, através das minhas letras incertas. Sejam bem-vindos!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Ponta Negra
Da rede que balança avisto o que o olhar alcança e tudo me chama a atenção.
Uma pequena praça, a bela passeando sua graça, o bronze na pele que brilha ao Sol
Tua igrejinha azul, um toque a mais de beleza nessa natureza que me deixa extasiado.
Divago sobre a possibilidade, só em sonho, é verdade, de registrar-te na mente como uma fotografia.
Mas, Ponta Negra, refletindo melhor, tua paisagem é a majestade a quem os meus olhos súditos fazem reverência.
Querer te ver imóvel em foto é, no mínimo, incoerência.
Autor: Paulo Roberto Nascimento, durante um passeio em Ponta Negra-Maricá.
Autor: Paulo Roberto Nascimento, durante um passeio em Ponta Negra-Maricá.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Registro de sonhos
Com uma caneta não se constroem sonhos, mas o muito que eles representam é registrado para sempre.
É indelével.
O real e o imaginário...
O imaginário e o real...
O que transporto para o papel é o que na mente se perderia.
Na mente divaga o que no papel se concretiza.
Adoro os livros!
Abri-los é dar liberdade aos sonhos de alguém que um dia assim desejou lhe dar asas.
O que ficou sufocado na alma transportou-se para o papel: desabafo, fantasia, realidade...
Autor: Paulo Roberto Nascimento
Autor: Paulo Roberto Nascimento
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Não estamos no Coliseu
No último fim de semana, tivemos dois acontecimentos que de alguma forma se relacionaram, aliás, de forma assustadora.
No sábado, o UFC (Ultimate Fighting Championship), realizado no Rio de Janeiro, me chamou a atenção pelo fato de mesmo não sendo um apreciador desse esporte, estando em um restaurante com a minha mulher, ter observado as reações das pessoas presentes nesse ambiente aplaudindo cada ato de violência da luta que a televisão mostrava, pouco se importando com o ser humano que ali estava sendo submetido a pancadaria. Nesse dito esporte um oponente pode socar o adversário na cabeça, mesmo caído, o que configura a possibilidade de um golpe mortal em qualquer momento.
No domingo, tivemos um clássico do futebol entre Vasco e Flamengo, dois clubes que, de alguns anos para cá, têm cultivado entre suas torcidas uma rivalidade exacerbada ao limite da guerra. Ocorre que, em determinado momento, o técnico do Vasco, Ricardo Gomes, sentiu-se mal - o que posteriormente foi diagnosticado como Acidente Vascular Encefálico - sendo levado de ambulância para um hospital. Nesse instante, deu-se o absurdo de nítidamente se ouvir um grito uníssono de uma parte da torcida do Flamengo: Vai morrer, vai morrer, vai morrer... numa demostração da barbárie que estamos vivendo nos tempos atuais, onde a vida humana tem pouco ou nenhum valor.
Como é moda nas postagens de comentários na Internet aquela mãozinha com o polegar virado para cima ou para baixo, caracterizando uma impressão positiva ou negativa a ser indicada por quem lê a mensagem, parece que o inconsciente coletivo escolheu o polegar virado para baixo, nesse caso optando pela morte do adversário de forma análoga ao que acontecia na maioria dos espetáculos dos gladiadores no Coliseu de Roma.
Precisamos resgatar os nossos valores humanos mais dignos, antes que seja tarde.
Autor: Paulo Roberto Nascimento,
No sábado, o UFC (Ultimate Fighting Championship), realizado no Rio de Janeiro, me chamou a atenção pelo fato de mesmo não sendo um apreciador desse esporte, estando em um restaurante com a minha mulher, ter observado as reações das pessoas presentes nesse ambiente aplaudindo cada ato de violência da luta que a televisão mostrava, pouco se importando com o ser humano que ali estava sendo submetido a pancadaria. Nesse dito esporte um oponente pode socar o adversário na cabeça, mesmo caído, o que configura a possibilidade de um golpe mortal em qualquer momento.
No domingo, tivemos um clássico do futebol entre Vasco e Flamengo, dois clubes que, de alguns anos para cá, têm cultivado entre suas torcidas uma rivalidade exacerbada ao limite da guerra. Ocorre que, em determinado momento, o técnico do Vasco, Ricardo Gomes, sentiu-se mal - o que posteriormente foi diagnosticado como Acidente Vascular Encefálico - sendo levado de ambulância para um hospital. Nesse instante, deu-se o absurdo de nítidamente se ouvir um grito uníssono de uma parte da torcida do Flamengo: Vai morrer, vai morrer, vai morrer... numa demostração da barbárie que estamos vivendo nos tempos atuais, onde a vida humana tem pouco ou nenhum valor.
Como é moda nas postagens de comentários na Internet aquela mãozinha com o polegar virado para cima ou para baixo, caracterizando uma impressão positiva ou negativa a ser indicada por quem lê a mensagem, parece que o inconsciente coletivo escolheu o polegar virado para baixo, nesse caso optando pela morte do adversário de forma análoga ao que acontecia na maioria dos espetáculos dos gladiadores no Coliseu de Roma.
Precisamos resgatar os nossos valores humanos mais dignos, antes que seja tarde.
Autor: Paulo Roberto Nascimento,
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Passos Sedutores
Passos curtos, ritmados,
Cadência no andar,
Poesia de movimentos derramados pela calçada.
Dança, dançando,
Sem se importar com o "ao redor', na liberdade de ser mulher.
Andar insinuante, sensual, que no seu ritual
Deixa seguidores tontos, errantes, sem rumo...
Autor: Paulo Roberto Nascimento
Cadência no andar,
Poesia de movimentos derramados pela calçada.
Dança, dançando,
Sem se importar com o "ao redor', na liberdade de ser mulher.
Andar insinuante, sensual, que no seu ritual
Deixa seguidores tontos, errantes, sem rumo...
Autor: Paulo Roberto Nascimento
domingo, 28 de agosto de 2011
Sou assim por inteiro. Me identifiquei com essa letra de Oswaldo Montenegro
Metade
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Oswaldo Montenegro
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
O início
O início é sempre a esperança de uma longa caminhada. Espero encontrar pelo caminho aqueles que compartilhem comigo a esperança de um futuro bom.
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