Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial. Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sentia atraído a falar. Bom, hoje, adulto, costumo falar meus palavrões sozinho, ainda não me adaptei a xingar em público nem para ofender alguém. Certa vez assisti uma reportagem falando de um senhor de 70 anos, que jogava pelada com os amigos, muitos bem mais jovens. Ele era respeitado pela idade e em sua regra de não admitir palavrões durante o jogo. O repórter perguntou-lhe sobre o assunto, e a resposta foi que " Palavrão é a falta de argumento da pessoa". Não, definitivamente não sou como ele, nem o senhor idoso que vi, tempos atrás, na Cinelândia. O dia estava chuvoso, e no ponto do ônibus muitas pessoas aguardavam suas conduções. Um senhor alto, cabelos brancos, vestido socialmente, não percebeu a manobra do ônibus que chegava, arremessando a água empoçada do meio fio em sua direção, sujando a elegante calça branca....
A música Simples Desejo, de autoria de Jair Oliveira e Luciana Mello, soava em sua mente como trilha sonora da sua vida, pois achava “legal ficar sorrindo à toa... sorrir pra qualquer pessoa, andar sem rumo na rua”. Naquela manhã ensolarada, de temperatura agradável, era só o que mais desejava — e a esperança lhe acompanhava, mas tropeçava em bons-dias não correspondidos. Ignorados, melhor dizendo. Seguia pensativo sobre a falta de gentileza das pessoas e lembrou-se de que, há tempos, dirigiu-se a uma colega de trabalho com um sincero "bom dia", e a resposta veio azeda: — Para mim, não está nada bom! Surpreso, a única resposta que lhe veio foi: — Para mim, quando não está, faço com que fique. Desistiu de perguntar o motivo daquele azedume e dirigiu seu “bom dia” aos outros colegas, que foram mais receptivos. Em outra ocasião, foi a vez de um amigo seu lidar com situação parecida — porém, com o humor sarcástico que era sua marca pessoal. Chegando em um setor, alegre como sempr...
Recentemente, aconteceu um fenômeno raro conhecido como "vibração atmosférica induzida", supostamente a causa de um apagão na Europa, que atingiu Portugal e Espanha e, além de outros transtornos gerou uma pane na rede de celulares daqueles países. E eu com isso? " Palma, palma, não priemos cânico ", diria o Chaves. Mas, no caos nosso de cada dia, convivemos com esse aparelho indispensável que para muitos se tornou um vício e criou manias. Quem nunca viu pessoas subindo ou descendo escadas falando ao celular, sem perceberem o risco iminente de um tombo? Já viram um sujeito na estação de trem, indo e voltando de uma ponta a outra tratando de algum negócio, gesticulando e apontando para um local imaginário como se seu interlocutor estivesse vendo? Ou dentro de um ônibus, conversando em voz alta para que todos tomassem conhecimento da sua vida? Imaginem a cena: uma moto estacionada na calçada e o motoboy dando voltas em torno do veículo, falando ao celular sem parar....
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