Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial. Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sentia atraído a falar. Bom, hoje, adulto, costumo falar meus palavrões sozinho, ainda não me adaptei a xingar em público nem para ofender alguém. Certa vez assisti uma reportagem falando de um senhor de 70 anos, que jogava pelada com os amigos, muitos bem mais jovens. Ele era respeitado pela idade e em sua regra de não admitir palavrões durante o jogo. O repórter perguntou-lhe sobre o assunto, e a resposta foi que " Palavrão é a falta de argumento da pessoa". Não, definitivamente não sou como ele, nem o senhor idoso que vi, tempos atrás, na Cinelândia. O dia estava chuvoso, e no ponto do ônibus muitas pessoas aguardavam suas conduções. Um senhor alto, cabelos brancos, vestido socialmente, não percebeu a manobra do ônibus que chegava, arremessando a água empoçada do meio fio em sua direção, sujando a elegante calça branca....
A música Simples Desejo, de autoria de Jair Oliveira e Luciana Mello, soava em sua mente como trilha sonora da sua vida, pois achava “legal ficar sorrindo à toa... sorrir pra qualquer pessoa, andar sem rumo na rua”. Naquela manhã ensolarada, de temperatura agradável, era só o que mais desejava — e a esperança lhe acompanhava, mas tropeçava em bons-dias não correspondidos. Ignorados, melhor dizendo. Seguia pensativo sobre a falta de gentileza das pessoas e lembrou-se de que, há tempos, dirigiu-se a uma colega de trabalho com um sincero "bom dia", e a resposta veio azeda: — Para mim, não está nada bom! Surpreso, a única resposta que lhe veio foi: — Para mim, quando não está, faço com que fique. Desistiu de perguntar o motivo daquele azedume e dirigiu seu “bom dia” aos outros colegas, que foram mais receptivos. Em outra ocasião, foi a vez de um amigo seu lidar com situação parecida — porém, com o humor sarcástico que era sua marca pessoal. Chegando em um setor, alegre como sempr...
Saindo de casa para o trabalho, olho para cima e vejo o céu carregado de nuvens, o que me leva a calcular que, em vinte e cinco minutos, chegarei ao destino – trajeto a pé que faço diariamente – sem necessidade do guarda-chuva. Assim faço e, como ando ligeiro, sigo despreocupado. Já estava próximo de chegar quando percebi o cenário: até então, meu trajeto contava com abrigos que me protegeriam da chuva iminente... ali, não! Não, não começou com respingos. Veio como um balde d’água de uma vez só, encharcando-me na hora, sem que eu tivesse oportunidade de correr. Continuei resignado, encharcado e revoltado até chegar ao local de trabalho, uma fábrica, e entrando no meu setor fui recebido pelos colegas com um coro de risadas, sendo que um deles se jogou ao chão, enfatizando ainda mais o ridículo da minha situação. Esse colega providenciou um uniforme e botinas na CIPA para que minhas roupas secassem e, ao final do dia, eu pudesse voltar seco para casa. Desde então, passei a car...
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