Em uma dessas ocasiões, eu estava jogando com um parceiro contra dois colegas, sendo que um deles era daqueles sujeitos metidos a esperto, sempre se vangloriando de suas vitórias. Ocorre que, ao final da partida, aconteceu a contagem de cartas para determinar a dupla vencedora. Eu, que tinha por hábito contar minhas cartas mentalmente e de forma rápida, observei que tínhamos perdido por dois pontos de diferença, mas aguardei a contagem do meu adversário, que contava alto e devagar, afirmando que haviam ganhado.
Ao final, decepcionado, ele disse que tínhamos empatado, mas, como sempre fui um bom observador, notei que uma das cartas – um rei que valia quatro pontos – ele havia atribuído o valor de dois pontos, obviamente um ato falho. Como com um "esperto" deve-se responder com artimanhas, eu disse que iria recontar minhas cartas, pois tinha a impressão de que a vitória teria sido nossa, em vez do empate declarado por ele. Isso lhe dava, claramente, uma chance para corrigir seu erro.
Contei minhas cartas à minha maneira, e, no meu silêncio, confirmei a nossa derrota. No entanto, aguardei o desfecho da conferência do colega e, novamente, ele errou a contagem. Pela regra, haveria uma nova partida. Rapidamente, juntei todas as cartas, jogamos novamente, vencemos e eles se levantaram da mesa para dar lugar a outra dupla.
Ao final de tudo, como ele ainda continuava com aquela pose de vencedor – cuja derrota é obra do acaso – falei a ele sobre o que havia feito. Sua resposta foi que eu tinha trapaceado. Retrucando, disse que, se ele fosse mais observador e menos falastrão, não teria me dado a oportunidade de enganá-lo.
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