Jeitinho, a gente vê por aqui

Trajeto Central x Itaguaí, onibus tarifa A, confortável, ar condicionado, um passageiro se levanta e puxa o sinal de parada próximo à subida de um viaduto, se aproxima do motorista e pede para que ele dê uma parada embaixo do viaduto.  Diante da recusa do condutor, alegando que sair do trajeto poderia causar-lhe punição da empresa, caso acontecesse um acidente ou enguiçasse, reclamou:
- Mas todo mundo dá uma "descidinha" ali,
Ao que o motorista retrucou:
- Eu não sou todo mundo, meu nome é Peçanha!
Chegando ao ponto, abriu a porta e o passgeiro desceu reclamando, xingando e ainda deu um soco na lataria do veículo.  Peçanha fechou a porta e seguiu viagem como se nada tivesse acontecido.
Tendo como pano de fundo o "jeitinho brasileiro", que enxerga leis e normas como obstáculos, veremos mais um profissional do volante protagonizando esse embate:
Linha 629, quase chegando a Irajá, seu destino final. Em um ponto, um casal de idosos deu sinal para o ônibus, que parou atendendo ao aceno. Eles pediram ao motorista que abrisse a porta traseira, entraram, mostraram seus documentos de identidade para a câmera e se acomodaram nos assentos.

O motorista, observando pelo retrovisor, perguntou:
— Nenhum dos dois tem o cartão do idoso?

A idosa respondeu:
— Não, só a identidade.

E o idoso completou:
— Tá na Constituição, a identidade vale.

O motorista, ainda calmo, argumentou:
— Mas com o cartão fica registrado aqui para a empresa.

A idosa, irritada, respondeu:
— Você é puxa-saco do patrão? Vai envelhecer um dia também.

Demonstrando impaciência, o motorista rebateu:
— É preguiça de tirar o cartão? Não é difícil solicitar... — E, em um tom mais baixo, resmungou consigo mesmo: — Nesse país, não se respeitam as leis. Se fosse em Portugal, não embarcariam, dando a entender conhecer a aplicação das leis naquele país.

Os idosos continuaram resmungando entre si. Mais adiante, acionaram o sinal para descer. Quando o ônibus parou, o idoso reclamou:
— Motorista, abra a porta! Demos o sinal.

A resposta veio mais irritada:
— A porta demora a abrir!

Ao descer, o idoso retrucou:
— Em vez de cuidar dos cartões dos passageiros, devia dar um jeito nessa porta.

O motorista, já explodindo, comentou em tom de desabafo para os demais passageiros:
— Isso é problema da empresa, não meu. Na próxima, não paro mais para eles, nem para quem estiver acompanhando. Já marquei as caras.

Resumo da ópera: As leis existem, mas convivem com a falta de civilidade.



Autor do texto: Paulo Nascimento, olhar e ouvidos atentos para transformar cenas comuns em crônicas com um toque de ironia e reflexão.


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