segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aos Mestres com Carinho

    Hoje, nesse dia tão especial de homenagem ao Dia do Professor, ouvindo o comentário de Mario Sergio Cortella, na Rádio CBN, sobre a valorização da atividade docente, me veio a lembrança dos meus mestres, desde a Maria Eduarda e Dedé, na minha infância - quando me alfabetizaram antes que eu frequentasse a escola regular, até os meus mestres da Escola Arthur Ramos e Colégio Jockey Club, na Gávea.  Lembro alguns nomes como a Vó Julieta, a diretora, com seus cabelos grisalhos e sempre muito bem arrumados e seu jeitinho de vovó, vovó mesmo, ao lidar com os pequeninos.  As professoras, todas chamadas de Tia, de quem me recordo são: Maria Lúcia, Sonia Campagnac, Marília, Minalda, Marilena e me incomoda o fato de não lembrar de outros nomes, o meu senso de justiça foi traído pela perda de parte dessa memória.
    Trago comigo um carinho muito especial ao lembrar de suas lições, tanto as acadêmicas quanto aquelas que nos deram segurança no crescimento como seres humanos no dia a dia, complementando a educação que já trazíamos de casa.
     Entre os meus guardados tenho uma foto da minha Segunda Série na Escola Jockey Club que me ajuda a relembrar dos meus colegas da época e de quanto foi boa a minha experiência estudantil no Primário.
     Aos mestres, todos eles, reconhecendo-os como verdadeiros Dom Quixote de La Mancha a combaterem moinhos de vento nessa falta de estrutura em que convivem, rendo as minhas homenagens.

Autor do texto: Paulo Nascimento.


Ouça o texto baixado em: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/mario-sergio-cortella/2012/10/15/A-VALORIZACAO-DA-ATIVIDADE-DOCENTE.htm





 Foto da minha Segunda Série Primária.  Arquivo pessoal.

Tenho  saudade dessa turma

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quero ver teu rosto Senhor

Teu rosto, Senhor,

Como é?

Quis responder essa pergunta

E fui te procurar.

Todos falam de você

Mas quantos já te viram?

Fui ao seu templo

Pra te achar.

Lá, vi muito ouro,

Riqueza.

Palavras bonitas,

Gente vaidosa,

Soberba.

Hinos lindos,

Bem cantados.

Atos nobres

Não praticados.

Um templo enorme,

Lindos vitrais.

Olhei para fora,

Ao redor,

Vi a pobreza de perto.

Onde você estava?

Lá dentro

Ou lá fora?

Me senti traído,

Era tudo mentira,

Você não existia.

Se existisse,

Seria mais justo.

Se coloca na boca de teus filhos

Mas não os faz mais humanos.

Nesse momento de revolta,

Uma lágrima me escapou,

Caiu sobre uma flor

Perfeita,

Que parecia bailar.

Indiferente à pobreza do lugar,

Indiferente à riqueza do templo.

Compreendi tudo.

Percebi o teu sinal.

Era ali que você estava,

Aquela era a tua face,

Uma de tuas faces.

E o teu sorriso

Está no meu sorriso

E espalhado em todos os lugares,

Ricos ou pobres.

Está à mostra para todos

Que abram os olhos do coração para ver,

Para crer.

Teu rosto é lindo, Pai.

É belo e perfeito.

E eu não preciso de nada

Para ver você.


Autora do texto: Lucia Andrade
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons-Sem Derivados 3.0 Não Adaptada,

Paradoxo Insistente

Imagina se eu cheirasse,

Se fumasse, se bebesse...

Estopim de uma bomba

Que já veio ao mundo

Pronta pra explodir.

No momento da criação

Passei na fila da energia

Umas mil vezes.

Não sei se sou mulher,

Cachorro com raiva

Ou rojão

Que voa rumo ao céu,

Explode,

Colore,

E volta pro chão.

Orgasmo à flor da pele,

Olhar fatal de falcão.

O Criador assim me fez

E eu não consegui mudar

Em uma overdose de vida

Que ninguém consegue aceitar.

Bicho solto, bicho estranho,

Paradoxo insistente.

Peixe fora d´água,

Alienígena, monstro,

Simplesmente diferente.


Autora do texto: Lucia Andrade.
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons-Sem Derivados 3.0 Não Adaptada.


domingo, 30 de setembro de 2012

O Próximo dia 7 de outubro

  No próximo dia 7 de outubro teremos as eleições municipais no nosso país.  Com o encerramento das campanhas no rádio, na televisão, nos carros de som ou por meio de panfletagens, ficaremos um pouco em paz para refletirmos que atitude tomaremos no dia das eleições.  Pessoalmente,  fiquei aliviado com aquelas músicas irritantes nos ouvidos que procuram nos impor uma lavagem cerebral e de tão perigosas houve momentos em que tive que chacoalhar o cérebro para parar de ouvi-las.
  É frustrante sabermos que as campanhas não discutiram temas importantes e de interesse da população.  Pelo contrário, tivemos muita propaganda, e só.  Na TV, principalmente, fez-se uso de belas imagens ou depoimentos do tipo "Alice no País das Maravilhas" pelo lado dos partidos da situação, ou de imagens mostrando o contrário pelo lado da oposição.  Palavras e frases antigas como: "fascismo", "o poder nas mãos do trabalhador", "burguês", etc..., tentaram nos vender ideologias há muito sem sentido.  Não precisamos de um Politiburo para nos governar, precisamos participar como cidadãos acompanhando os passos daqueles a quem confiamos um cargo eletivo e cobrando deles atitudes condizentes com tal posição.  Chega de projetos inacabados, frutos de ambições eleitoreiras, tipo: CIEP, CIAC, CAIC, CRIAM, Moreirinha, todos com o objetivo de personificação do autor, criados sem planejamento a longo prazo, talvez propositalmente, para serem substituídos posteriormente por novos projetos e novos gastos com acusações ao antecessor que com o passar do tempo será mais um aliado na luta para derrubar um terceiro que correu por fora.
  O que mais ouvi falar nessa campanha eleitoral de uma boa parte dos candidatos foi que precisamos construir novas creches.  Vai faltar espaço para tanta creche ou haverá uma escassez de mães com filhos para matricular nelas.  Obviamente, mães que trabalhem.
  Já tenho o meu candidato:  foi um que, em vez de dizer que ajudará na criação de empregos, disse que trabalhará por mim.  Já preparei o meu sofá para descansar enquanto ele trabalha por mim.  Pois sim!

Leia mais: Voto Traído
 
Autor do texto: Paulo Roberto Nascimento

sábado, 29 de setembro de 2012

Recordando um grande herói da luta livre

Nesta quinta-feira, 27 de setembro, faleceu Mario Marino, conhecido como Ted Boy Marino, um dos astros do telecath brasileiro na década de 1960.


Nascido na Calábria, região da Itália, em 18 de outubro de 1939, aos 12 anos foi para Buenos Aires, no porão de um navio, junto com os pais e cinco irmãos. Em 1965, chegou ao Brasil, sendo contratado pela antiga TV Excelsior que exibia um programa de Telecatch, onde ele passou a se apresentar e posteriormente o programa passou a ser exibido na TV Globo, sendo um dos programas líderes de audiência na década de 60.

Ainda criança, lembro-me bem das lutas muito bem encenadas, onde tudo era válido em nome do espetáculo lúdico do confronto entre o bem e o mal, quando ao final de tudo, mesmo tendo os lutadores malvados utilizado suas artimanhas e seus golpes sujos: mordida, dedo nos olhos, esfregar limão nos olhos, etc..., a vitória do bem era certa para o delírio dos espectadores – que faziam parte da encenação – e os telespectadores, muitos com a convicção de que tudo aquilo era verdadeiro e escolhendo alguns daqueles lutadores como seus heróis.

Ted Boy Marino era um galã loiro e um ícone da época, recebendo milhares de cartas por semana dos seus fãs. Dentre muitos outros, vale destacar alguns dos reis do ringue que dividiam a cena com Ted Boy: Tigre Paraguaio, Leopardo, Mongol, Verdugo, Tony Videla e Rasputin Barba Vermelha.

Eram tempos difíceis de ditadura e o nosso refúgio era aquela encenação onde habilidosos lutadores até se machucavam na execução dos movimentos previamente treinados, embora não tivessem o objetivo de machucar ninguém. Hoje, as lutas apresentadas na televisão demonstram uma violência fora do comum, talvez significativa de que os tempos mudaram... ou mudamos nós?


Descanse em paz, Ted Boy Marino.

Leia mais em Não estamos no Coliseu



Autor do texto: Paulo Roberto Nascimento.
Vídeo extraído do You Tube.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Onça Pintada


Sou onça pintada,
Marcada.
Cicatrizes do tempo
E da vida,
Da dor que virou ferida.
Marcas das perdas,
Do choro,
Na noite calada,
Da agonia da vida roubada.
Do sofrimento no rosto,
Do olhar triste
Por sobre o leito.
Marcas no pelo,
Marcas no peito.
A onça se esgueira
Em mata fechada,
Apagando sua trilha,
Memória...
Olhando pra frente,
Nova caçada.
Antevendo o embate
Pela vida,
Doída,
Vida marcada.

Autora do texto: Lucia Andrade

Calendário


Sessenta e cinco,
Sessenta e seis,
Sessenta e sete dias marcados no calendário.
Mais um dia sem você.
Como o dependente foge da droga
Eu fujo pra não te ver.
Se eu te ver vou fraquejar
Vou querer te ter.
Vou lembrar da gente,
De como era.
Não vou conseguir resistir.
O vício de você
Vai me chamar
E se eu der o primeiro beijo,
Outros mais eu vou querer.
Quase não saio na rua.
Quando saio volto correndo.
Tranco as portas e janelas,
Fecho os olhos e o pensamento.
Resisto por mais um dia.
Por mais um dia...
Assim eu vou vivendo sem você,
Contando os dias.
Sessenta e oito,
Sessenta e nove,
Setenta...

Google Imagens


Autora do texto: Lucia Andrade

Pronto, xinguei!

Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial.  Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sen...