A ideia deste blog é promover agradáveis encontros com os que compartilham minhas esperanças, através das minhas letras incertas. Sejam bem-vindos!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
O fanatismo e suas consequências
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
Trotes nos anos 70
Nos anos 70, aos 15 anos de idade, eu trabalhava em uma empresa no Centro do Rio de Janeiro. Um dos costumes da época era receber os office boys novatos com trotes. Confesso que fui uma das vítimas, mas, sem falsa modéstia, consegui me sair bem.
Não foi o caso de um colega, e eu testemunhei um desses trotes "in loco". Trabalhávamos em uma sala no 19⁰ andar. A divisória de frente para o corredor tinha metade inferior de madeira e a parte superior de vidro. Através dela, observei um novato gesticulando muito e conversando com um veterano e percebi o que estava para acontecer.
Novato: — Poxa, esse pessoal daqui não é mole.
Veterano: — O que aconteceu?
Novato: — Ah! Fizeram uma brincadeira chata comigo.
Veterano: — Como assim?
Novato: — Estava no 13⁰ andar e me pediram para ir ao 18⁰ buscar uma "chave para fechar balanço". Lá, me disseram que a chave tinha sido emprestada a um funcionário do 14⁰. Quando cheguei no local, me mandaram para o 16⁰. Fiquei assim, de andar em andar, até perceber que era sacanagem.
Nesse momento, cheguei mais perto. Já conhecia o jeito moleque do veterano e percebi que ele estava preparando o "bote". Ele abraçou o novato e começou:
— Nesses anos em que estou aqui, nunca concordei com essas brincadeiras. Acho desnecessários esses trotes, ninguém merece, e blá, blá, blá...
A resposta do novato mostrou que ele havia mordido a isca:
— Ainda bem que tem gente legal igual a você. Eu só quero trabalhar, mas o pessoal só faz brincadeira. Valeu, cara!
— Por nada. Vamos trabalhar que é melhor — disse o veterano, desfazendo o abraço e afastando-se. Porém, como se lembrasse de algo, completou:
— Caramba, acabei me esquecendo!
O novato, preocupado, perguntou:
— O que foi?
E o veterano respondeu:
— Fiquei de pegar a régua elétrica para o fulano lá no 14⁰ andar. Acho que está com o sicrano.
Prontamente, o novato se ofereceu:
— Eu pego para você!
Ele saiu às pressas, pela escada, ansioso para ajudar o "amigo". Olhei para a cara de deboche do veterano e balancei a cabeça. Voltamos para nossa sala e comentamos sobre a "vareta para desentupir fio"; o "quilo de eletricidade em pó"; a "escada para pintar rodapé" e outras invenções para trotes. Uns quinze minutos depois, a vítima voltou, com o rosto vermelho, reclamando com o veterano:
— Pô! Até você?
E, pisando forte, saiu indignado.
Mais um incauto "batizado"! Esse, por duas vezes.
Autor do texto: Paulo Nascimento
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
Equipamentos melindrosos (republicado)
sexta-feira, 3 de janeiro de 2025
Apelidos
O primeiro apelido lhe foi dado pelo próprio pai: "lambreta". Nunca se soube na família a razão do apelido; talvez nem mesmo o pai pudesse explicá-lo.
Depois, no colégio, devido à baixa estatura e ao fato de ser sempre o primeiro nas formações em fileira, passaram a acrescentar o sufixo "inho" ao seu nome. Esse apelido o acompanhou até hoje.
A maior experiência que teve com apelidos foi ao trabalhar em uma fábrica de lingerie. Ao ser recepcionado pelos futuros colegas, um deles, que viria a se tornar seu melhor amigo, desfiou diante dos demais uma lista de apelidos: "salgadinho de casamento", "motorista de carro de bandido", "salva-vidas de aquário", "porteiro de boate infantil" e outros. Os colegas riam com deboche, mas ele não deu muita importância, apenas acrescentando à sua coleção de apelidos mais alguns que já conhecia. Assim, desarmou o que hoje chamamos de bullying e deu início à sua carreira profissional.
Com o tempo, percebeu que os apelidos proliferavam naquele ambiente.
O setor onde trabalhava ficava em um subsolo da fábrica. Era um pequeno escritório com sete funcionários, incluindo a chefe. Próxima à porta, havia uma grande janela de vidro que permitia observar do alto a área de produção. Um dia, em um momento de descontração, seu melhor amigo chamou-o até a janela e comentou:
– Isso aqui parece um zoológico. Olha só.
Apontou para os colegas e continuou:
– Ali estão o Leão, o Cobra, o Ratinho (complicado cobra e rato no mesmo local, mas deixemos isso de lado), o Hipopótamo, o Gambá, o Cara de Cavalo, o Beiço de Mula... e aqui, temos um Cachorrinho – disse, olhando para mim.
Lembrei-o de que ele era conhecido como Cara de Sapo, imitei o coaxar do bicho e ele fingiu indignação, encerrando a brincadeira.
Em outra ocasião, chegaram dois novos funcionários para a produção. Enquanto esperavam em frente à mesa da chefe, começaram os cochichos para definir quais seriam seus apelidos. Eram dois homens altos e negros. Ao perceberem a situação - os cochichos não eram tão baixos - trocaram sorrisos discretos. Até que meu amigo declarou:
– Faísca e Fumaça!
A risada foi geral, inclusive dos dois novos colegas, e só parou com a chegada da chefe, que perguntou:
– Qual a razão dessa risadaria?
Diante do silêncio, meu amigo respondeu:
– Foi só uma piada, nada demais.
A chefe, desconfiada, resmungou um "hãhã" e iniciou a entrevista com os contratados.
Certo dia, no pátio externo da fábrica, estava com meu amigo e outros dois colegas quando passou um funcionário da manutenção conhecido como Papa Léguas – apelido dado por seu jeito de andar quase marchando, com os pés abertos. Ele detestava o apelido e fazia cara feia sempre que o ouvia, o que levava todos a evitá-lo.
No entanto, um dos colegas provocou meu amigo a chamá-lo pelo apelido. Sem perder tempo, ele pegou a buzina de um vendedor de cuscuz próximo e, ao ver Papa Léguas se aproximar, disparou um sonoro "bip bip".
A provocação surtiu efeito: Papa Léguas lançou um olhar de desaprovação, notando os sorrisos ao redor, mas, sem provas, seguiu invocado seu caminho, marchando com seus pés "dez pras duas".
Autor: Paulo Nascimento
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
O inusitado final do ano de 1976
Final de ano, 1976... Naquela época, o último dia do ano tinha meio expediente e, por tradição, havia a chuva de papel picado, originada de documentos inservíveis devidamente rasgados ou de sobras, como confetes, produzidas pelos perfuradores de papel.
Eu trabalhava em uma empresa localizada na avenida Rio Branco, no Centro da cidade do Rio de Janeiro.
Durante a comemoração — janelas abertas no quadragésimo andar — apareceu, do nada, um paraquedas confeccionado com um saco de lixo azul, barbantes e, no lugar de um boneco, um objeto fálico feito de madeira. Sim, isso mesmo! O autor da façanha era o "faz-tudo" da empresa (eletricista, encanador, marceneiro, etc.).
Um dos nossos colegas, com uma destreza singular, conseguiu arremessá-lo. Ao sabor do vento, o paraquedas começou a pairar sobre a avenida. No prédio em frente funcionava um banco famoso, que ainda existe. Vimos, morrendo de rir, uns caras chamando suas colegas para observarem o estranho objeto voador. Algumas mulheres taparam os olhos, enquanto outros se divertiam com o fato inusitado em meio às comemorações.
Era hábito, ao final do meio expediente, nos reunirmos em algum bar antes de irmos para casa, despedindo-nos do ano velho com a expectativa e os desejos de um ano novo melhor.
Essa tradição do papel picado se perdeu com o aumento da consciência ambiental e, como o dia 31 de dezembro foi incorporado ao feriado, essa comemoração agora é apenas uma saudade que guardo na memória.
Autor do texto: Paulo Nascimento
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
Trapaça ou lição?
Pronto, xinguei!
Palavrão é algo com que só me acostumei por volta dos 14 anos, por causa do antigo ginasial. Até ali, mesmo acostumado a escutar não me sen...
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A música Simples Desejo, de autoria de Jair Oliveira e Luciana Mello, soava em sua mente como trilha sonora da sua vida, pois achava “legal ...
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Recentemente, aconteceu um fenômeno raro conhecido como "vibração atmosférica induzida", supostamente a causa de um apagão na Euro...

